Marvel, Vingadores e as lições para sua empresa construir uma audiência fiel.

Marvel, Vingadores e as lições para sua empresa construir uma audiência fiel.

Ao pensar em comunicação e como fazê-la da melhor forma, gosto de ter como referência a indústria do entretenimento. Penso que ela tenha muito a ensinar às empresas sobre como chamar a atenção das pessoas. Entretenimento é divertido, é interessante e sim, muitas vezes é cultura.

Tem muita coisa ruim, de baixa qualidade e péssimo gosto no entretenimento? Tem! Mas o fato é, no que diz respeito ao marketing e a comunicação com o público, as empresas deveriam ter uma visão muito menos “institucional” e muito mais de entretenimento.

Entretenimento é estratégia SIM.

O que entretenimento tem a ver com sua empresa? Bom, entretenimento é conteúdo e conteúdo gera interesse; interesse é audiência, audiência é oportunidade, que por sua vez, gera negócios para quem sabe aproveitá-las. 

Por traz de um bom conteúdo tem muita estratégia. Conteúdo e venda não são opostos… na verdade, são faces da mesma moeda. O conteúdo é sim pensado como negócio, porém, focado na audiência, pois entende que sem ela, nada acontece. 

Para exemplificar isso, eu quero falar aqui de Disney e do que ela tem feito com a Marvel Studios (empresa que ela adquiriu em 2009).

Se você não acompanha os filmes que a Marvel vem lançando desde 2008, além de estar perdendo um conteúdo de entretenimento muito bem feito, está perdendo lições valiosíssimas sobre negócios. Explico:

O filme O Homem de Ferro (2008) foi um divisor de águas para a Marvel Studios e para a indústria do entretenimento também. Filmes de heróis não são novidade desde os anos 1970, quando a própria Marvel começou a levar seus personagens para a telona.

Mas, Homem de Ferro não era só mais um filme. Ele foi concebido como a primeira peça de um quebra cabeça muito maior que ele. Uma saga, onde cada filme impactaria na história do seguinte e a meta dessa saga —  que a Marvel chamou de Fase 1  — era o fechamento com a união dos heróis apresentados ao longo de sua duração: Os Vingadores.

—  Pra antecipar onde quero chegar: imagine os vingadores como o portfólio de produtos da sua empresa e, cada herói, como um dos seus produtos. Imaginou? Agora segue aí.

O Projeto Vingadores.

Em 2009, a Disney  — agora dona da Marvel Studios — passou a dar continuidade ao quebra cabeça iniciado com Homem de Ferro a fim de explorar os personagens que havia comprado a preço de ouro (US$ 4 bilhões) com a aquisição da empresa-mãe dos heróis. Assim seguiu o Projeto Vingadores.

De 2009 a 2012, a Marvel — Disney — lançou filmes dos principais heróis que comporiam o time dos Vingadores. Um filme pra cada herói, e todos filmes de origem, pois ao contar a história de cada herói, mais peças se somavam ao quebra cabeça.

Porque não lançar de cara o filme dos Vigadores? Simples:

  • Primeiro: Filmes independentes deixariam as histórias muito mais redondas. Homem de Ferro, Capitão América, Hulk e mais uma porrada de personagens sendo apresentados ao mesmo tempo em duas ou três horas de filme? Imagine como seria difícil desenvolver cada personagem e ainda sobrar tempo pra uma aventura.
  • Segundo: Lançar cinco filmes é mais lucrativo que apenas um (não seria esse o motivo número um?).

A Marvel está há 10 anos construindo seu universo filme após filme. Em 2008, Homem de Ferro era uma aposta, um protótipo da história que eles queriam contar. 

Para fazer sentido — e dar lucro, obviamente — Os Vingadores, teria que despertar interesse do público. Na verdade, do grande público.

Por mais que seus personagens reúnam um número grande de fãs, isso não é suficiente para pagar pelo investimento necessário pra um filmes com atores famosos, cenas grandiosas e muito efeito especial.

A Marvel teria que fazer de suas histórias mais que um filmes para crianças e mais que filmes de heróis… Ela teria que fazer de seu conteúdo um produto mundial consumido por grandes massas.

—  Na nossa analogia, não adianta sua mãe [fã] saber que seus produtos [heróis] são excelentes. Por mais que ela te ame, não vai sustentar o faturamento da sua empresa. Você precisa de um público substancial pra comprar, e que só vai comprar se entender o que você vende, pra que serve e gostar disso.

Planejando cada batalha.

Resumo da ópera: Para fazer valer esses filmes, a Marvel os recheou com elementos que agradariam o fã e também o não-fã desses heróis: Ação, aventura, drama e muito efeito especial.

Talvez você ache filmes de heróis bobos e infantis. Muita gente acha e muitos filmes são. Por isso eles sempre contam com doses de cenas de ação, humor, aventura e drama.

Com isso, a Marvel Studios criou um universo onde cada filme nos apresentava um herói [produto] e contava parte de uma história que seria expandida nos próximos filmes e, uma vês apresentados os heróis, cada um em seu filme, eles estariam prontos para se unirem em Os Vingadores.

Isso é chamado na comunicação de Transmídia. Vou poupar as próximas linhas de explicações técnicas e simplificar:

Você tem uma grande história pra contar e não dá —  ou não quer  —  fazer isso de uma vez só. Estrategicamente, você divide essa história principal em histórias menores. Essas histórias menores não dependem uma da outra pra fazerem sentido, mas juntas, são complementares e enriquecem a história principal.

Você não precisa assistir Homem de Ferro 1 para assistir o 2, nem Os Vingadores, nem Guardiões das Galáxias. Mas se assistir, vai ter uma experiência mais interessante porque esses filmes são todos parte da mesma história.

Isso não se limita apenas ao cinema. A Marvel também expande esse universo para suas series da Netflix, onde as tramas são impactadas pelo que acontece nos filmes.

Assim a Marvel trabalhou na fase 1 do seu projeto, lançando Homem de Ferro 1 e 2, Capitão America e Thor entre 2008 e 2011, culminando em Os Vingadores, onde esses heróis se uniram para combater um grande mau.

—  Pense na história da sua empresa, porque você a criou e o que te motiva [a origem do herói]. Isso te ajudará a achar a essência do que você faz e não se perder pelo caminho.

A fase 1 foi um sucesso: Os Vingadores (2012) faturou a bagatela de US$1,355.2 bilhões e a Marvel continuou expandindo seu universo.

Este ano será lançado Vingadores Guerra Infinita, a primeira parte do final da terceira fase dos filmes da Marvel, que se encerra em 2020 e reunirá todos os heróis das três fases numa mega batalha.

Detalhe: os caras já tem filme planejado até 2030!!!!

Afinal, o que sua empresa tem a ver com isso tudo?

O que a Marvel Studios está fazendo com seus filmes tem muito a ensinar não só para os empresários, mas também às agências e profissionais de comunicação  — me incluo entre eles.

Nosso cotidiano é tão acelerado e temos tantas demandas, que acabamos nos concentrando em responder questões pontuais, apagar incêndios e nos esquecemos do plano geral.

A Marvel está há 10 anos construindo seu universo filme após filme. Em 2008, Homem de Ferro era uma aposta, um protótipo da história que eles queriam contar.  Claro que eles não planejaram tudo que viria depois tim-tim por tim-tim, mas eles tinham um plano-base. E do sucesso do protótipo dependia esse plano seguir ou ir pra gaveta.

Eles se concentraram numa boa história, que agradaria o público e valorizaria sua marca. Nem tudo foi acerto; mas entre filmes bons e outros nem tanto, o plano foi adiante.

Quantas histórias podemos contar sobre nossos negócios e deixamos passar enquanto nos preocupamos em estar em todas as mídias, em todos os formatos, fazendo mil posts no Facebook que ninguém se importa? Não dá nem pra dizer que o plano deu errado, porque não tinha plano.

Foque em fazer um conteúdo que seja interessante para seus público e que tenha relação com seu negócio, mas que não olhe apenas para o umbigo da sua empresa.

Não estou dizendo que você deva esperar 10 anos pra ver algum resultado. Só estou dizendo que é preciso  — e totalmente possível — fazer as coisas de forma menos caótica.

Pense o que quer pra sua empresa para os próximos 5 ou 10 anos [história grandiosa] e depois divida isso em ações menores que se complementam e constroem a visão que você teve. 

Esse ano aqui na Koezo, começamos mudando a marcha e desacelerando. Não por conveniência, mas porque 2017 foi um ano tão corrido e cheio de atividades, que não nos questionamos o suficiente sobre como as coisas estavam indo.

Quer dizer que foi um ano ruim? Pelo contrário: a empresa cresceu, contratou e evoluiu. A questão é: você quer mesmo esperar até ter um ano ruim para melhorar as coisas?

Esse texto que você lê, faz parte da minha iniciativa de produzir um conteúdo sobre alguns problemas que vejo nas empresas — na minha, inclusive — e sobre as mudanças cada vez mais rápidas no mercado.

Não é meu objetivo aqui pagar de “fodão” para me autopromover. O que acho legal mesmo é dividir com você um pouco do processo de evolução do nosso negócio, trocando ideias que possam de alguma forma contribuir com o processo de evolução do seu.

Vejo muitas empresas tentando fazer seu “Vingadores” quando não tem nem uma prova de conceito ainda. É normal, afinal a expectativa de fazer as coisas darem certo é grande. Mas é preciso calma nessa hora.

Começamos 2018 aqui na agência com foco em fazer nosso “Homem de Ferro” primeiro, para nós e para nossos clientes, e expandir nosso universo a partir daí.

Comece simples, faça bem feito, conte sua história e vá adicionando novos elementos de forma consciente. É o que eu sugiro pra você.

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